OS NOVOS TEMPOS EXIGEM CAUTELA       

Rev.Côn. Cleny Vergara

 

Os sinais dos tempos. “Jesus disse ao povo:Quando vocês vêem uma nuvem subindo no poente, logo dizem: Vai chover; e de fato chove. E quando sentem o vento sul  soprando, dizem: Vai fazer calor. E faz mesmo.Hipócritas! Vocês sabem  explicar os sinais da terra e do céu. Por que não sabem interpretar os sinais desta época?”.S. Lucas 12, 54-56.

 

Intitulamos este texto com uma frase chamativa; pois, na verdade, precisamos de um impacto forte para nos acordarmos do sono profundo em que nos encontramos, mergulhados na poeira da maldade, sem a luz necessária para vermos o Cristo à nossa frente indicando o caminho à Casa do Pai. O próprio Cristo, o Filho do Deus vivo, nos adverte dizendo que Ele, “Jesus, iluminará do Céu todos os que vivem na sombra da morte, para guiar seus pés no caminho da paz” Lc. 1, 79. O nosso bom senso determina  que estamos vivendo  (a grande maioria da humanidade) no mundo da licenciosidade ( que significa o que é contrário aos bons costumes)  sem percebermos a profundidade do abismo que está à nossa frente. Ainda é tempo de retomarmos ao caminho da salvação. É bom lembrarmos do cajado do profeta Davi quando pastor de ovelhas. Com aquele cajado ele retirava as ovelhas quando caiam nos precipícios. Os nossos bispos usam também o cajado para simbolizar que eles são nossos pais em Deus. É da conduta humana, os pais amarem os seus filhos e, portanto, zelarem pela integridade e segurança deles. Graças a Deus temos alguém que se preocupa conosco, nossos Bispos.

 

Nestes últimos dias o sol não tem dado o seu resplendor e a lua, da mesma forma. Leia a primeira parte do vers. 29 do cap. 24 de S Mateus e reflita. Leia também em Efésios cap. 5 e verss.15 ao 17. O que foi escrito na Bíblia foi escrito para o nosso ensino. Leia Romanos 15,4.

 

O surgimento de seitas novas querendo salvar todos os doentes e recuperar o equilíbrio financeiro dos que estão endividados e ou desejosos de bens que ainda não alcançaram, é mais um sinal dos últimos tempos. Leia também S. Mateus 24 de 10 a 13.

 

A cautela de que trata o título deste texto, significa uma conduta cristã mais aprimorada; mais voltada para a essência das instruções das Sagradas Escrituras; mais amor fraterno e menos ambição pelo que é passageiro. O mundo passa disse Jesus Cristo; mas as minhas palavras não passarão. S. Mateus cap. 5 vers 18. Leia e pense. Todos os povos serão levados à presença do Senhor para receberem a sentença eterna. A sorte de cada um vai  depender do que foi feito durante a sua vida na Terra. Deus não castigará ninguém. Todos nós temos um cadastro no Trono de Deus. Esse cadastro determinará a porta em que entraremos. “A vontade de Deus é que todos sejam salvos”.  S. João 6, 40. 

 

Todos nós sabemos que a vida na Terra é diferente da vida no Céu. A vida na Terra, além de passageira, prefere  alimentar-se somente do que é da Terra  e que  pertence à Terra. O certo é alimentar o corpo com o que vem da Terra e o Espírito com o que vem do Céu. Disse Jesus em São João 4, 34: “ A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e terminar o trabalho que me deu para fazer”.

 

Ninguém deve se considerar perdido porque cometeu muitos pecados; o sangue de Cristo nos purifica de todos eles. Deus está aguardando a nossa confissão para nos libertar de todo o mal que por ventura tenhamos cometido. O amor de Deus é maior do que o nosso pecado.

 

                                                            28-08-10

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                        

 

 

 

 

 

                   AOS  NOSSOS   VENERÁVEIS   IDOSOS  OU  PROV ECTOS:

 

                                    PAIS, TIOS, AVÓS,  BISAVÓS E TATARAVÓS,

                                                     

                                                 O nosso respeito e gratidão!   (por Revdo.Cleny Vergara)

 

    Aos que desejarem ler esta página, por certo, terão algo a dizer, à guisa de observação e, quem sabe, mais lucidez na definição adjetiva das pessoas que alcançam longa idade.

    Como tenho convivido com centenas de irmãos e irmãs que tiveram a graça de chegar a uma idade privilegiada de 60,70,80, 90 e até mais anos de idade, falo ( e escrevo) com muito segurança no intuito de melhor (na minha visão) brindar a todos e todas (dos pais aos tataravós), com um conceito de longevidade que dê a eles e elas o sentimento  

de um valor que não se encontra nas bibliotecas e nem nas melhores enciclopédias. Re  -firo-me à escola da vida e ao zelo à sua prole. Esses dotes não se adquire em bancos escolares e nem com subsídios monetários. Eles fluem do coração e são processados pela intuição humana e se convertem em tesouros  sui generis, somente mensurados pela alma associada ao espírito dos seus genitores. Somos, no entanto, o retrato dos que nos colocaram na linhagem que nos fez gente de bem. Num retrospecto aos nossos ancestrais  chegaremos à conclusão de que somos frutos de uma árvore genealógica cujas raízes foram tão profundas que, absorveram a seiva necessária para nos alimentar  através das sucessivas gerações, até chegarmos à maturidade afetiva e descobrirmos que somos uma corrente cujos elos são, em cada época, dotados dos mesmos valores e, como tais, devemos prezá-los em cada geração.

    Vamos pensar com carinho nos nossos pais, tios e avós e, em raros casos, nos bisavós. Considerando os nossos limites cognitivos para desenharmos os nossos  pais, intrínseca e extrinsecamente, isto é, os seus valores internos e externos, passamos ao nosso coração a tarefa de nos ditar todos os adjetivos para uma comunicação capaz de renovar a cada gesto nosso, a paixão recíproca entre filhos e pais e entre netos e avós. Nesta contextualização relacional jamais um filho(a) usará qualquer manifestação verbal que tenha sentido pejorativo. Refiro-me a tratamentos chocantes como por exemplo, em conversa pouco amistosa, chamar os pais ou os avós de velhos. A sensação é muito negativa;  pois a primeira impressão que passa pela cabeça do idoso, pai ou avô,  é a de imprestabilidade. Velho e velha são as coisas e os irracionais. Objetivamente, pai ou papai; mãe ou mamãe é, sem dúvidas, um verdadeiro presente que se dá, sem nenhuma dificuldade àquelas pessoas que nós mais queremos. Tratá-las diferente, significa um aborrecimento antecipado para nós quando chegarmos na mesma idade. Eu não aconselharia os que têm pais e avós vivos, a uma comunicação constante e, em todas as situações, de uma forma carinhosa, se eu não tivesse agido deste jeito. Os meus avós, os meus pais, os meus tios e os meus sogros, nunca ouviram de minha boca a palavra velho ou velha, referindo-me a eles. O tratamento efetivamente humano e dosado com as devidas considerações e pertinentes às particularidades de cada pessoa e, em especial a quem tudo ou boa parte do que somos, a eles devemos, nos constrange a uma maneira afável, empática e sensível de diálogo e proximidade, lembrando-nos de que o que semearmos também ceifaremos. E não somente isso; a idade avançada baixa a capacidade cognitiva de discernimento e avaliação, tanto do momento quanto da extensão da palavra. Até podemos pensar que os provectos(as) articulam algumas investidas na intenção de conquistas dos seus objetivos. Quando assim acontece pode-se acreditar que são impulsos involuntários em conseqüência de desejos reprimidos, quem sabe, de muitos anos atrás. A idade provecta requer uma leitura psicológica  para não se criar um clima pesado no convívio com os nossos pais e avós, depois que eles perdem o domínio e administração de si próprios e do ambiente onde vivem. A pastoral da chamada terceira idade, precisa pensar tanto na sua clientela, quanto naqueles  que se responsabilizam com os cuidados das nossas bibliotecas ambulantes.

     Pais e avós, por mais impertinentes que sejam, são nossos ancestrais e sem eles nós não seríamos o que somos. Eles não só nos geraram, como também nos conduziram pela mão durante longa quilometragem. Agora são eles a quem devemos conduzi-los  com os mesmos cuidados que recebemos deles. É maravilhosa essa troca de amparo entre filhos e os seus provectos genitores; pois, sem eles, seríamos o Caos (espaço vazio).

 

    Pai, mãe e avós são referências  que, perdidas, diminuem a solidez dos nossos passos!

 

Caminhar em estrada movediça, insufla na mente do andante a impressão de fracasso ao longo da viagem. Portanto, com uma boa carga de exemplos construtivos herdados de nossos pais e avós, uma vez observados com respeito e carinho, asseguram aos seus descendentes um futuro promissor  e carregado de recompensas pela lembrança feliz da valorização que consagramos a eles em vida e, como homenagem póstuma, o V Mandamento da Lei de Deus:  “Honrarás a teu pai e tua mãe”.

 

 

      Com carinho e saudosa lembrança de meus queridos avós e pais, convido-vos  a uma séria reflexão a respeito dos nossos antepassados  colocando-nos nos seus últimos passos neste mundo.

 

PROVECTOS(AS), significa avançados em idade, conhecimento e experiência.

Com respeito aos que lerem este texto, à minha gratidão.

 

     

 

 

 

 

A voz das urnas é a voz de Deus?

(por Gregório Leal Oliveira (Ministro Leigo)

 

Desde os tempos bíblicos ouvimos dizer que a voz do povo é a voz de Deus, mas será que este ditado é teologicamente e sociologicamente correto? Se for, Deus quis que seu filho fosse crucificado e que Barrabas voltasse às ruas fazendo o que fazia e ainda aclamado pelas multidões. Entretanto segundo a tradição cristã, Deus enviou seu Filho para que morresse pelos nossos pecados, então de certa forma era da vontade Dele que Jesus fosse sacrificado por nós. Talvez uma questão interessante a ser enfatizada é a manipulação que os líderes judeus fizeram para que o povo escolhesse a Barrabás ao invés de Jesus, ou seja, se a voz do povo fosse a voz de Deus, não teriam se deixado influenciar por uns poucos líderes judeus, e teriam reconhecido a Jesus como o Messias. E essa manipulação de massas é muito comum até hoje, políticos e empresas que usam da mídia para influenciar o povo. Deus não se deixaria influenciar dessa maneira, Deus não faz jogo de interesses, dessa maneira o povo não poderia representar a voz de Deus.  Que Deus é esse que promove a morte e a corrupção pela voz de seu povo, povo que segundo as sagradas escrituras é eternamente amado por Deus, ou será que este ditado é falso, sinceramente prefiro acreditar que este ditado tão usado pela população brasileira é falso desde a sua criação. Se a voz do povo é a voz de Deus e as urnas é a voz do povo, conclui-se, pelo ditado popular, que toda esta corrupção existente na nossa política é vontade do “Pai”, entretanto eu como Cristão não posso acreditar nisto. Contudo sugiro que este ditado fosse abolido de nosso convívio social, talvez os não Cristãos vão contrapor dizendo que este ditado está certíssimo, mas tenho certeza que nunca pararam para pensar no poder e na influencia que estas palavras trazem para a sociedade.

Creio que esta expressão de que a voz do povo é a voz de Deus está sendo manipulada a muito tempo por aquelas pessoas que fazem uso da religiosidade das pessoas para trazerem cada vez mais opressão, corrupção e crime. Neste período pré-eleitoral já começa a manipulação das mentes e das opiniões daqueles que são os mensageiros de Deus, os que possuem o titulo eleitoral, os que teem o direito e o dever de votar, mas muitas vezes, infelizmente, este poder de mudar a situação deprimente que a maioria da sociedade vive junto com a possibilidade de um futuro melhor acaba sendo trocando por uma cesta básica, cadeira de rodas ou uma dentadura. Temos de pensar em nossas situações futuras e não somente no agora, pois sabemos que estas promessas eleitorais que são reforçadas por estes itens antes citados nunca se concretizam.

A população brasileira não pode deixar passar mais uma eleição sem tomar uma atitude drástica para assim a voz das urnas (povo) ser a voz de Deus e que este Deus que de múltiplas faces não seja mais cúmplice destas barbaridades que acontece em nossa política.

 

Reflexão sobre a Quinta e Décima Estação da Via Sacra

(por Marco Leão- Comunidade de São Pedro-Cajuru/Curitiba)


Quinta Estação:
Jesus é julgado por Pilatos
Mc 15.12-15


Relembramos nesta estação a continuação do julgamento de Jesus, iniciado perante o Sinédrio, no qual já havia sido vilipendiado, escarnecido e agredido. Chegamos perante Pilatos, o procurador romano. Diante dele, que tinha em sua memória a revolta dos Macabeus e a rebeldia dos galileus, postam Jesus, também um galileu. Acusam-no de se querer fazer rei [ou seja, arrogar a si as prerrogativas do poder político, a liderança do povo, e assim, negar o domínio romano]. Interrogado por Pilatos, este se volta aos líderes hebreus e lhes diz que não encontra culpa naquele homem [realmente, a acusação não lhe soa muito convincente, e a questão lhe parece ser mais uma querela religiosa entre os judeus do que um levante político armado]. Porém Pilatos tem em mente suas obrigações para com Tibério, o Imperador, e antevê as consequências que um erro seu traria: soltando-se o homem, caso estourasse a revolta, perderia cargo, honrarias e suas graças junto ao Imperador. E aqui encontra-se a acomodação de interesses entre o Povo da Aliança e o Gentio: Pilatos volta a perguntar-lhes o que fazer com Jesus, em quem não vê culpa. E recebe como resposta um sonoro “Crucifica-o”. Volta a insistir, e o “Crucifica-o” volta ainda mais veemente. Divididas as responsabilidades pela morte de Jesus, e tirando cada qual proveito da solução encontrada [para Pilatos, perante o Imperador, não poderia passar mais como um incompetente, pois agira decididamente; e, perante o Povo Judeu, não poderia ser acusado de se imiscuir ilegitimamente em um debate religioso, pois o próprio Sinédrio e seus seguidores gritaram pela crucificação do homem chamado Jesus; para o Sinédrio e seus seguidores, a sentença de Pilatos seria também a validação por Roma de seu argumento de que o homem era efetivamente um perigo para a paz e, portanto, mais valeria a morte de um, do que o sofrimento de todo o povo com a iminente e certa repressão de mais uma revolta], solta Barrabás [este sim sabidamente sedicioso], manda flagelar Jesus e, depois, crucificá-lo.

 

 

Décima Estação;
Jesus é crucificado
Jo, 19. 17 e 18


Olha que são três as cruzes. Uma no meio. Duas outras a ladeiam. Quando nos aproximamos dos muros de Jerusalém, vemos a calva do monte onde se encontram as três cruzes. No meio, crucificado, o próprio Deus. A cada lado, um homem, com quem foi partilhada a mesma morte comum, o mesmo sofrimento.É claro que cada qual tem o seu próprio sofrimento, sua própria história, sua própria dor. Mas é naquele Jesus crucificado que encontramos quem pode realmente compreender a nossa própria dor, a nossa própria história, o nosso próprio sofrimento, porque é aquele que viveu profundamente todas as nossas dores: suplício, traição, solidão, escárnio, abandono. É aquele que caminhou resoluto em direção à cruz. E, ao lado dele, diante de seu sofrimento [conosco] é que nos deparamos com a questão: o que fazer desta cruz? Cada um dará sua própria resposta.


 

4º Domingo da Quaresma, Ano C.

Meditação sobre a parábola do Filho Pródigo e a Juventude.(Marcel Cesar)

Alexandre, O Grande. Rei aos 20 anos. Foi coroado no mesmo dia que viu o pai ser assassinado. Aos 15 anos domou o cavalo chamado Bucéfalo, cavalo que diziam que nem mesmo Apolo teria sido capaz de domar. Do alto de Bucéfalo conquistou todo o mundo conhecido até a Índia. Morreu aos 33.

Elizabeth Tudor, a Virgem. Sua mãe foi decapitada pelo pai quando ela tinha três. Ficou órfã aos 17. Tornou-se Rainha aos 25. Antes foi perseguida durante toda sua juventude por sua irmã Maria, a Sangrenta. Durante seu Reinado derrotou os inimigos que ameaçavam sua nação. Optou pelo celibato em sacrifício pela independência política de seu Reino e sua Fé.

Dom Pedro II, o Magnânimo. Pedro de Alcântara. Era um garotinho quando a multidão o carregou pelos braços aclamando o infante imperador. Nunca mais viu seus pais depois daquela noite. Tudo que lhe deixaram foram a coroa sobre a cama e um bilhete dizendo, Adeus meu filho amado e meu Imperador.  Foi um grande político, reconhecido por Vitor Hugo, Pasteur e muitos outros grandes nomes da filosofia e da ciência. Patrono das artes, das ciências e do abolicionismo.

Juventude e adolescência são fenômenos recentes. Não há muitos registros detalhados da infância na Idade Antiga e os jovens já surgem retratados como adultos. Mais tarde durante a Idade Média começam a surgir relatos sobre a vida dos aprendizes. Próximo aos 13 anos o menino deixaria os trabalhos domésticos e passava a trabalhar com o pai aprendendo seu ofício, até que um dia estava pronto para trabalhar por si próprio. Desta forma começou a se esboçar o que viria mais tarde a se conhecer como adolescência (do grego, crescimento).

Esse conceito só se consolida como a Revolução Industrial, quando a educação passou a ser sistematizada e as escolas se difundiram por toda a Europa. Neste momento as idades de início e fim do período de aprendizagem passaram a ter contornos mais definidos.  Podemos deduzir que a princípio “juventude é aprender”.

- Aprender é um processo de tentativa e erro. Quem não errou não aprendeu. Apenas repetiu mecanicamente o que os outros faziam. Aprender é um processo que tem causas e conseqüências. A sabedoria do passado pode nos guiar, mas demoramos em aprender com ela. Geralmente imitamos o que vemos a nosso redor, mas o jovem na sua fome, na sua ânsia por vezes exagera. O vinho do fim de semana se torna a bebedeira de sábado à noite. A pressa para chegar ao trabalho se torna o racha pelas ruas. A pequena trapaça se torna crimes hediondos.

Somente com o tempo aprendemos a ver as conseqüências no futuro. Leva tempo para aprender que nem tudo é AGORA. Nem tudo é URGENTE.  Que nem tudo é DE VIDA OU MORTE.

Lembrem-se dos três jovens que citamos. Vejam o poder que emana dessa febre, dessa ânsia por experiências. É um corpo biológico esperando por ser marcado pelo universo. Tentem imaginar tanto poder nas mãos do Aprendiz. Ele quer tentar, quer inovar, quer provar de tudo, pois tudo é tão novo, intenso, tem sabor de primeira vez. E por outro lado ainda não aprender a esperar, não sabe quando parar, não conhece os limites de seu próprio corpo.

- E isso é bom.

Precisamos de exploradores. De aventureiros. Precisamos de desbravadores, soldados, piratas, bandidos, mocinhos, índios, samurais. Precisamos de heróis e vilões.

Mas para o jovem isso tudo é tão intenso, é tão mais, é tão melhor! Às vezes nos perdemos… às vezes não vemos o caminho de volta. Pensamos que não há um retorno. Acreditamos que não há para onde voltar. Que o Pai fará como o irmão mais velho, que nos expulsará de casa, que não nos reconhecerá.

E não há nada mais triste que perder-se. Nada mais assustador. Apavorante. Solitário.

E qual é o horror de perder alguém que amamos. Quão grande é o vazio que fica. A saudade. Prestem atenção neste poema de Fernando Pessoa:

 

No plaino abandonado
Que a morna brisa aquece,
De balas trespassado-
Duas, de lado a lado-,
Jaz morto, e arrefece.

Raia-lhe a farda o sangue.
De braços estendidos,
Alvo, louro, exangue,
Fita com olhar langue
E cego os céus perdidos.

Tão jovem! Que jovem era!
(agora que idade tem?)
Filho único, a mãe lhe dera
Um nome e o mantivera:
 «O menino de sua mãe.»

Caiu-lhe da algibeira
A cigarreira breve.
Dera-lhe a mãe. Está inteira
E boa a cigarreira.
Ele é que já não serve.

De outra algibeira, alada
Ponta a roçar o solo,
A brancura embainhada
De um lenço… deu-lho a criada
Velha que o trouxe ao colo.

Lá longe, em casa, há a prece:
 “Que volte cedo, e bem!”
 (Malhas que o Império tece!)
Jaz morto e apodrece.

 

Imaginem a dor dessa mãe. O pranto da criada. Imaginem o luto quando a bandeira sobre o caixão for entregue como ultima lembrança. Como última honraria. Como devem ter desejado que a maldita bandeira nunca tivesse coberto o corpo do menino. O que não fariam para tê-lo de volta, para mais uma vez ver o menino da sua mãe.

Tenho certeza que perdoariam qualquer crime. Qualquer insulto. Qualquer blasfêmia, qualquer pecado. As coisas pequenas, as grandes, todas ficariam para trás se pudessem de braços abertos receber de volta o menino. Quanto êxtase, quanta festa! Carneiros seriam assados. Vinho seria servido e certamente haveria músicas por noites a fio. O que era morto ressuscitou. O filho que estava perdido foi encontrado. Aquele que era por balas trespassado novamente alvo, louro exangue era.

Por que nós só compreendemos a glória da reconciliação quando perdemos os nossos amados? Por que agimos como o Bom filho que ficou? Será que é preciso que alguém morra para aprendermos a escutar, a amar incondicionalmente, a nos aceitarmos? Por que não temos um espírito reconciliador antes, pois antes talvez o que se perdeu nunca se fosse. Nós não sabemos amar. Nosso amor não é incondicional como o amor de Deus.

Parece-nos injusto que o filho pródigo possa voltar assim tão fácil e tudo é festa e alegria. Recebido com honras, com glórias. Mas é assim que deve ser.

Isso não quer dizer que não haverá conseqüências. Muitos defendem que o evangelho deixa implícito que ao filho pródigo não caberia uma nova parte na herança. O pai diz ao mais velho, o que é meu é teu. Talvez o filho que retornará viesse a viver na condição de servo, trabalhando para seu irmão. Todo ato gera uma conseqüência. Isso é física. É da natureza. Mas se quisermos os mortos de volta, se esperamos que os perdidos encontrem o caminho de casa devemos desejá-los como são. Devemos ouvi-los. Perdoá-los, estender a Mao.

É muito fácil chorar e pedir pelos mortos. Pedir que voltem a viver. Mas quem está pronto para celebrar a filha prostituta. Quem ama plenamente o irmão drogado? Quem consola o bandido? Quem dá colo ao ladrão? Quem anda na rua ao lado do pervertido? Quem ama ao pecador?

O Pai ama.

Ele não ama o pecado. Mas ama a todos os homens e mulheres. Ama a todos igualmente. Sua redenção não foi destinada a um grupo e a danação eterna a outro. Ela foi oferecida a todos. O único que julga quem merecerá será o próprio Pai, mas ainda assim ele ama.

É difícil para nós aceitarmos que o perdão é universal. É difícil entender que o retorno de uma ovelha perdida é motivo de festa para todo o rebanho do Senhor. Mas como ele pode amar a uma ovelha desgarrada, negra, suja, perdida, mais do que a mim – eu que não parti, eu que fiquei, que me doei! Entender a justiça divina não é fácil.

Nós confundimos nosso senso de justiça com a infalível e infinita capacidade de amar de Deus.

Justiça é uma balança. Amor é incondicional. Justiça retribui, amor é extravagante… É fogo que se arde sem se ver. É servir a quem vence o vencedor. Amor é ter com quem nos mata lealdade.

A parábola mais longa da bíblia não é sobre o filho pródigo. É sobre o Pai amoroso. É sobre amplitude de seu amor. Amor imensurável, incompreensível… Não cabe a nós julgar quem o merece ou não. Cabe ao Pai.

Em Cristo, Deus resgatou o que estava perdido. Ele não ofereceu a redenção a alguns e escravidão para outros. Ele morreu por todos. Todos nós. Ele morreu igualmente por Pedro e por Pilatos. Pelo soldado e pelo ladrão. Pelos apóstolos e pelos escribas

Isto não é justo! Isto é amor.

Hoje somos chamados a voltar a cãs do Pai. E o Pai vai nos receber com festa. Hoje é dia de FESTA! Nas tradições mais antigas o quarto domingo da quaresma é conhecido como o domingo jubiloso. O dia onde as penitencias poderiam ser postas de lado e a vida celebrada. “Laetera Israeli”! Neste dia os altares podiam ser adornados com flores e o rosa era a cor litúrgica para esta ocasião singular. Eram todos convidados a fazer barulho e festa, pois o que estava morto retornou.

 

 


A GRANDE  TRIBULAÇÃO

Rev. Côn. C. Vergara


 

A grande tribulação já começou e a maioria da massa humana não percebeu ainda a sua fúria e o seu poder devastador.

 

Somos orientados por Jesus Cristo de que não devemos andar de um lado para outro porque nada nos adiantará. A única saída dessa tempestade é jogar-se nos braços do Senhor. Não devemos esperar que o poder das trevas instale os seus exércitos, para então, tomarmos as nossas providências. Temos apenas um BARCO para todos. Esse BARCO se chama Jesus Cristo.

 

   AI DAS GRÁVIDAS E DAS QUE AMAMENTAREM NAQULES DIAS

 

As grávidas e as que amamentarem naqueles dias, são uma maneira figurada de Jesus se referir aos proprietários e mentores de estabelecimentos imorais de qualquer natureza. Ex.: Uma casa de prostituição. O proprietário corresponde às grávidas. Os que contribuem para a manutenção dessa casa, correspondem às que amamentam. 

 

                ORAI PARA QUE ESSAS COISAS NÃO ACONTEÇAM NO INVERNO

 

O INVERNO, é a fase do  esfriamento espiritual. Por isso somos aconselhados a mantermos viva a nossa fé e as nossas obras. Os que forem pegos no INVERNO sofrerão as conseqüência do seu gelo.

 

Não há outra maneira mais lúcida de expormos a advertência de Jesus, senão a que lemos acima. O que na verdade não existe, é dissimulação capaz de encobrir as verdades expressas nesses textos. A mensagem do Senhor revelada diretamente ou através de parábolas e, ou analogias, requerem de todos os povos a sua verdadeira interpretação, para que coloquemos em prática os seus ensinamentos.

 

A grande tribulação vai muito além do que lemos acima; ela somente será suportada por quem lavar as suas vestes com o sangue do cordeiro.  Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” Jo 1,29b. Os textos que vos escrevo não me caracterizam  como puritano, nem mesmo como  já santificado;  todos nós  estamos  marchando  em direção à santificação.  Essa marcha significa a nossa fraqueza; pois, “eu não faço o bem que eu quero; mas faço o mal que eu não quero”

Rom. 7,19.À luz da experiência paulina, admitimos a nossa parcela no mundo do pecado porque: “Se alguém disser que não tem pecado engana-se a si mesmo…” 1º João 1,8. Concluímos, portanto, que somos frágeis; porém, … “o Sangue de Cristo nos purifica de todos os pecados” 1º  Jo. 1,7 .Sinto-me à vontade  para vos escrever porque todos nós estamos navegando nas mesmas águas. Em todas as situações de risco temos o dever de nos ajudarmos uns aos outros. Não consegui ainda a perfeição que me levaria à imagem do varão perfeito; porém, continuo a lutar diariamente para melhorar o meus status espiritual; o que logicamente, deve ser  o esforço de todos  os que desejam uma vaga no Reino de Deus.

      As figuras que  tematizam  este texto, Mat. 24,19,as  grávidas e as que amamentam naqueles dias,  causam-nos um choque anafilático  e nos desperta  do sono  “ à beira da sombra da morte,” Mat. 4,16b. Quem não ficará  grato a um amigo que lhe previne de uma tempestade arrasadora que se aproxima?  Não só as figuras usadas para encabeçar este texto são horripilantes, mas muitas outras, também  da Bíblia, sobre às quais  vos escreverei oportunamente.  Contudo, leiam  S. Lucas 17:34-35 e façam a  vossa reflexão usando a vossa criatividade e imaginação.

     Este texto pode parecer meio indigesto por abordar a pior face da religiosidade que, numa visão míope, não consegue enxergar além das suas interpretações pessoais ou que se alinhe somente na direção horizontal dos interesses maiores daqueles que não querem pensar nas coisas que são lá de cima onde Cristo está assentado à Direita de Deus Pai.Col. 3,12.

     A instrução que partiu dos profetas, de Jesus Cristo e dos apóstolos, tem somente um objetivo, livrar o ser humano das chamas eternas, levando-o para junto do Pai. O preço por isso Jesus já pagou.

 

    Estamos iniciando o ano 2010, vamos embarcar na nave CELESTIAL.

 

 

            É NATAL ! O ANIVERSARIANTE ESTÁ TRISTE. MUITO TRISTE!  

  REV. CÔN. C. VERGARA

                                                      

2 0 0 9

 

     Se nos demorarmos alguns minutos considerando o Primeiro Natal, estabeleceremos uma enorme diferença entre aquele e os últimos Natais, incluindo o deste ano.

     No Primeiro Natal o homenageado foi o recém nascido, Jesus Cristo.  Os Reis Magos não só visitaram o Menino , mas devidamente ajoelhados diante dele O adoraram e  completaram a homenagem oferecendo-lhe presentes. Esse é o legítimo Natal. Como O presentearíamos hoje? Muito fácil “ Quem recebe uma criança em meu nome a mim é que recebe”. Mt.18,5 O próprio Cristo nos dá a resposta. Verdadeiramente não existe outra maneira de comemorar o Natal fora do exemplo dado pelos Reis Magos. Com o distanciamento da originalidade do Natal, as comemorações natalinas tomaram um rumo que não tem nada a ver com o nascimento do Salvador. O vocabulário das comemorações natalinas de hoje, não emprega mais do que 5% o nome Jesus Cristo, salvo algumas Igrejas Cristãs.

     O titulo deste texto afirma que o aniversariante está triste. Triste por que?

Porque Ele veio para os que eram seus e os seus não O receberam. Jo 1,11; porque Ele não autorizou ninguém a comercializar o seu nome e nem o dia do seu nascimento, principalmente em busca do lucro. A tristeza de Jesus é muito grande porque surgiram tantos cristos que em muitas celebrações em seu nome, o personagem menos falado é Jesus Cristo.

     Além da farsa para obtenção de benefícios diversos, essa cultura que lentamente vai assumindo características toleradas por pessoas lúcidas e pela mídia eclesial, constitui-se numa cultura perniciosa levando as crianças de hoje a acreditarem numa religiosidade vazia de conteúdo espiritual e voltada, como regra, ao ter, ao prazer e ao esvaziamento do essencial divino do cristianismo, da fé pessoal e coletiva dos povos. O que era ético e moral herdados dos baluartes eclesiásticos como os profetas, Jesus Cristo e os apóstolos, hoje está sendo matizado com cores novas, fugindo da herança santificadora e dos valores instituídos pelo Mestre dos mestres. Com essa inclinação forte ao supérfluo ao vazio e ao insípido, dentro de poucas décadas as novas gerações não ficarão sabendo que um dia na história da humanidade nasceu  um menino enviado por Deus para ser o Salvador de todas a humanidade.

       Meus irmãos e irmãs, se eu exagerei nas minhas ponderações, lembremo-nos do que disse o Senhor aniversariante do próximo dia 25: “E por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos esfriará”. Mt 24,12. Sem amor a fé é morta.

     Graças a Deus, ainda podemos dizer:  Feliz Natal a todos os irmãos e irmãs que  levam a sério a mensagem anunciada pelo Rei dos Reis!

 

 

                                                               

 

 

                                                 

 

 

                                                                      A  GRAÇA       

     “A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos nós para sempre”

 

     A graça de Deus é a síntese de toda a sua contemplação aos seus filhos feitos à sua imagem e semelhança, independente dos seus méritos.  Com a graça de Deus o ser humano está protegido de todos os males que o inimigo possa lhe infligir; pois, ela é a própria presença atuante de Deus em socorro e conforto a todos quantos  O invocam como Senhor e Mestre. Com a graça de Deus a pessoa está apta  a viver a plenitude da sua existência  no presente, já motivada para o futuro, como se a bênção do momento seja a porta que dá acesso  ao estágio seguinte e, assim, sucessivamente, ao longo do trajeto que Deus estabeleceu a cada um e a cada uma dos e das que nasceram da água e do Espírito. Este é o nascimento que abre as portas do Céu para que a graça seja derramada abundantemente sobre a pessoa para que nunca mais experimente a dor e a miséria sem a devida força e consolação. Aos que se abrem à graça de Deus não haverá provação que supere as suas potencialidades espirituais. Neste patamar divino a que os santos e santas de Deus são elevados(as), não haverá trevas que ofusquem o brilho da luz  que vem da face celestial de Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo. A experiência de tortura e morte dos mártires da fé, amparada pela graça de Deus, foi vivida de tal forma que, para eles representava apenas mais um passo da carreira que lhes estava proposta.

 

     A graça de Deus como invólucro do coração regenerado, é como a anestesia no corpo do paciente a uma intervenção cirúrgica. O corte do bisturi não causa dor alguma à pessoa. O exemplo da anestesia, apesar de autêntico, é fraco em comparação à graça de Deus. Com tudo, é a garantia do poder e amor de Deus como fator de serenidade no testemunho da fé e na sublimidade da conduta daqueles que oferecem os seus corações como recipientes da graça incomparável que Deus oferece gratuitamente aos que amam e vivem os seus ensinamentos. Ficou claro que para a graça repousar no coração humano há uma condição: ele deverá ser aberto e, só a pessoa pode abri-lo. No momento em que o coração é aberto à graça de Deus, todos os pecados dessa pessoa serão perdoados, porque ninguém busca tamanha bênção sem primeiro reconhecer a sua pobreza espiritual e o desejo de livrar-se dela. No mesmo instante em que manifestamos a Deus o desejo de nos livrar dos pecados que pesa sobre nós e reconhecemos a necessidade da sua graça, Ele está pronto a nos atender no mesmo momento. Não há outro meio eficaz para nos tornarmos agraciados por Deus com uma vida feliz, já neste mundo, que não seja a sua graça; pois, a sua palavra nos diz: “ Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, eu entrarei na sua casa, e nós jantaremos juntos”. Entrar na casa e jantar juntos, significa receber a graça de Deus e viver a vida ideal. Sem a graça de Deus  nos tornamos vulneráveis a toda sorte de infortúnios. À vista disso de que depende a sua felicidade? Deus não fica pensando se nos dá a sua graça ou não. É seu desejo dá-la a todos os seres humanos. A graça de Deus está apenas aguardando o momento da limpeza  do  coração, de quem ainda não o fez, para que ela possa ocupar esse espaço. Um coração cheio de lixo não tem lugar para a graça de Deus.                     

     

Se eu não amasse a Deus e a vós , não vos falaria por palavras ou escritos.   

   

  Esta reflexão está alicerçada nas Escrituras Sagradas, sem, como se observa, mencionarmos os textos que fundamentam o seu conteúdo.

    

 A graça de Deus é como o oxigênio que respiramos; sem ele seríamos como peixe fora dágua.

     Tudo quanto vos desejo é a graça de Deus. A partir daí a vida se transforma num mar sereno  e a navegação, que antes aguçava o medo, torna-se segura.

 

                                            Rev. Cleny S. Vergara        abril de 2005

 

 

FAMÍLIA    III      Rev  Côn. C. Vergara    1º de 11de 09

 

     Em FAMÍLIA  III faremos uma abordagem mais conceitual, considerando que em FAMÍLIA I E II apelamos para o lado lírico dessa sociedade sem perdermos de vista o legítimo conceito da “ Célula Mãe “ da Sociedade. Nos 2 primeiros textos elevamos a Família ao Status de Paraíso, com todas as suas belezas. Foi para mim a imagem que, na verdade, é INQUESTIONÁVEL. O Paraíso contém todos os contornos e matizes da beleza e da ordem. Os que O habitarem não terão outros sonhos mais lúdicos, porque ESSE JARDIM FOI CRIADO COM UM PROPÓSITO  ÚNICO; fazer dos seus habitantes as criaturas mais felizes  da face da Terra. S. Tiago em 1,18 diz: “ Pela sua própria vontade Ele (Deus) nos fez nascer , por meio da palavra da verdade, para ocuparmos o primeiro lugar entre todas as criaturas”. O ser humano tem consciência do bem e do mal; da alegria e da tristeza; da dor e da saúde. Só ele sabe  que o bem é o caminho da Paraíso. Essa consciência dá à família humana a segurança ao longo da sua viagem ao Reino de Deus sem perder o rumo da sua caminhada, porque uma estrela guia os passos dos peregrinos do Senhor. É claro que todas as grandes conquistas tem um preço; no nosso caso, o valor maior Cristo já pagou. O que nos falta agora é pouco; apenas seguir a trilha que Ele indicou.

     Em minha palestra na Paróquia S. Lucas, em Cascavel, em sua Semana Missionária, sob o tema: Identidade e Evangelização, eu elaborei uma estrutura a partir da Identidade, a fim de que o objetivo fosse alcançado. O objetivo seria gente nova para a Igreja através da Evangelização. É possível? é ! Como? Veremos! Primeiro, só o amor constrói!  Como só o amor constrói, teremos que armar a estrutura em três partes com o mesmo nutriente. As peças são diferentes mas o elemento principal unificador é o mesmo e se chama AMOR. São 3 pilares: 1º, o casal, esposo e esposa unidos pelo Amor Eros, Eros vem do                             Grego e significa amor espiritualizado ou apaixonado. Essa paixão,  Deus que é amor, quer que seja amor! São duas pessoas, mas o casal é UM. Estas duas pessoas formam um novo corpo que será nutrido pelo amor bilateral. Como casal, nenhum é mais ou menos importante do que o outro; porque o amor que os une é o mesmo e se chama Deus. Deus é amor disse S. João em sua 1ª carta 4,8.  L  e  i  a  m.

 Deus habitando o coração do esposo e da esposa  a união entre eles será perfeita. O segundo pilar é a família, pais e filhos que constituirão outra unidade, mediante o Amor Filia, que vem do Latim e significa amor à família. Com a chegada dos filhos, os pais consagram a eles o amor que lhes é próprio. Aí está o segundo pilar  nutrido, igualmente pelo amor, já  noutra dimensão. Esse amor deve ser recíproco para que a unidade familiar seja perfeita. Esse segundo pilar unido a outro e muitos outros forma o terceiro,  chamado de Amor Ágape, também do Grego e significa Refeição comum. Vem à nossa lembrança a Santa Comunhão, como refeição espiritual, onde tudo é igual para todos. É bom dizer que para se participar dessa refeição comum, todos os membros da Comunidade devem se amar uns aos outros, como irmãos em Cristo e sem qualquer restrição, para que efetivamente sejamos a congregação dos fiéis e o povo de Deus. Como eu gostaria  que cada pessoa em particular se  abrisse para Deus.

       O amor sendo verdadeiro nestas três categorias, o CASAL é feliz; a FAMÍLIA é feliz e a COMUNIDADE  é feliz. O amor fora destes pilares pode produzir prazer  mas  não constrói a felicidade!

      Como o ser humano foi criado para viver feliz, há condições de vivermos a felicidade à medida  em que cada pessoa na sua instância própria, deixe que as palavras de Jesus Cristo sejam o caminho da vida que nos levará ao Pai para sermos apresentados aos anjos com os quais constituiremos a Comunhão dos Santos. O olhar de Cristo nos contempla onde estivermos. Na direita do Pai, só Ele intercede por nos!

      Meus amados e amadas, parentes ou não, pensem com carinho e responsabilidade nestes três pilares que colocamos neste texto para que nos enquadremos perfeitamente bem, nos três, pois; há um crescendo espiritual,  se os aceitarmos como a escada que nos levará ao Céu e ao encontro dos nossos amados(as) que lá se encontrão nas paz do Senhor.

                                                                                                                                                

 Com amor fraterno e com as bênçãos de Deus, paz e felicidades a todos(as)!

 

 Meus endereços: Postal, Rua Moisés Lupion, 118 – Cj. Aporã,  85869-210 – Foz do Iguaçu, PR

Eletrôn.: revclenyvergara@yahoo.com.br

 

 

Tenho dezenas de textos escritos, se desejarem, vos mandarei. Vosso,

Rev. Cleny Vergara

 

 

 

 

 

 A FAMÍLIA  II -Rev. Côn Cleny S. Vergara


Como dissemos no texto anterior que a família é a Instituição mais antiga na face da Terra, temos o direito e o dever de aprofundarmos  mais este conceito, a fim de nos situarmos no epicentro dessa sociedade com o intuito de usufruir de todos os benefícios que ela nos alcança. Não há entre os seres vivos animados, nenhum sequer, que tenha a altivez de se igualar ao humano.“Façamos o homem à nossa imagem e semelhança” Gn 1,26.  “Deus fez o homem pouco menos do que os anjos e de glória e honra o coroou” Sl 8,5. Foi na figura humana de Jesus Cristo que Deus se revelou a nós  e foi chamado de Emmanuel, isto é, Deus conosco. Mt 1,23. Ao longo das Sagradas Escrituras poderíamos buscar outros textos  referindo-se ao ser humano, como semelhante a Deus.Com esta introdução nos inteiramos perfeitamente bem, quanto a nossa semelhança com Deus, não só fisicamente, mas, também, espiritualmente. Somos, pois, membros da família divina.

Como família divina temos mais um privilégio: somos o Templo do Espírito Santo, a casa onde o Espírito Santo mora, conforme Iº Co 3,16. Não esqueçamos que o Espírito Santo é a 3ª pessoa da Santíssima Trindade. É por esta razão que S.Tiago diz que nós somos as mais felizes de todas as criaturas. Tg 1,18. Se não percebemos ainda, o ser humano foi criado por Deus para ser plenamente feliz, vejamos como: Antes de conhecermos as categorias da felicidade, ver Iº texto sobre A FAMÍLIA, devemos descobrir que não ser feliz é fácil; basta o desamor. Não há formalidades para a felicidade; ela existe a partir do encantamento,  admiração e respeito de uma pessoa pela outra.Na relação conjugal, familiar e social o amor é o elo da felicidade.

A felicidade, certamente, requer alguns cuidados; todos, no entanto, fazem parte dos ensinos de Jesus e dos Seus apóstolos. O primeiro e grande ensinamento para a felicidade entre nós  (família e sociedade ) é  enxergar nos outros a imagem de Jesus Cristo e o Templo do Espírito Santo. Deus habita igualmente no coração do marido, da esposa, dos filhos, dos parentes, dos visinhos e, assim, entre todas as pessoas que O têm como Pai. Como Deus habita em cada um de nós, temos o dever de tratarmos todas as pessoas, parentes ou não, como imagem de Deus. O momento mais difícil de tratarmos com calma as pessoas, é quando  alguém nos fere a sensibilidade; nesse momento devemos lembrar do que disse Jesus : “Se alguém te bater numa face, oferece a outra para ele bater também. Se alguém te tirar a capa, oferece a ele também, a túnica. Lc 6,29. È difícil? é! Mas é o ensino do Senhor e, em obedecê-lo significa paz consigo e com todos. Não poderemos viver a felicidade sem a paz que vem de Deus. Os ensinos do grande mestre nos indicam o caminho para vida ideal de alegria e felicidade. Qualquer que seja a nossa experiência de sofrimento, creiamos, é talvez, o melhor momento para que a nossa fé nos leve à comunhão mais íntima com Deus.
Todos os baluartes da fé e do testemunho cristão viveram situações desconfortáveis ao corpo; porém, importantes para alumiar o caminho do Reino de Deus. Aconteceu com os profetas, com Jesus Cristo e com os apóstolos.
Aos que lerem este texto tenham a certeza de que a minha intenção é vos  mostrar que a sabedoria de Deus nos leva à comunhão com os nossos familiares e irmãos, como sendo a ponte que nos une a ELE.
Se alguém precisar de alguma ajuda pastoral escrita, estou pronto a ajudar. (Quando necessário, poderá ser reservada.)

Rua Moisés Lupion, 118 , Cj. Aporã  - 85869-210, Foz do Iguaçu, PR.


                 Em Cristo Jesus somos todos irmãos       -       outubro de 2009


QUE CRISTÃO SOU EU? QUE FIZ DOS MEUS TALENTOS?

 

                                                         Rev. Côn. Cleny S. Vergara - 20-08-09

 

 

Nunca tive e nem tenho a pretensão de ter sido um cristão modelo nem mesmo um clérigo exemplar. Tenho consciência dos meus limites e da incidência dos erros que eu não gostaria que tivessem acontecido; preferia sim, que as virtudes responsáveis pela dignidade do homem à feitura da imagem ideal ao farão prefeito, tivessem sido os contornos da minha personalidade cristã para que os meus anúncios evangélicos fossem mais retumbantes. Como assim não aconteceu, refugio-me na confissão de S. Paulo que à luz da mesma experiência disse: “Eu não faço o bem que eu quero; antes, faço o mal que eu não quero.” Rom. 7,21. No cap. 3,12b  na mesma carta, o Apóstolo diz:  “Não há quem faça o bem, não há nem mesmo um”. S. João em sua 1ª carta 1:8-10 diz que todos nós pecamos. Leiam!  Com isso, assumimos a nossa condição de pecadores; porém, sabemos que o sangue de Cristo nos purifica de todos os nossos pecados, vers. 9.

                                                                                                                                             

Como vimos, todos nós pecamos; porém, todos devemos nos lavar com o sangue de Cristo e nos tornarmos novas criaturas. Bem sabemos que pecado não tem medidas. Se ele é grande ou pequeno, é pecado igual. Se o ladrão roubar uma bicicleta ou um automóvel de luxo, recebe o mesmo título; ladrão! À luz deste axioma todos nós pecamos e, por isso, todos carecemos do perdão de Deus por meio de Jesus Cristo.

 

O título que encabeça esta reflexão e nos remete à posse dos talentos que nos foram confiados por Deus, tira-nos de nossas acomodações e nos conscientiza acerca da tarefa implícita na multiplicação do ou dos talentos recebidos e, que, um dia deverão voltar ao seu legítimo dono com os devidos rendimentos. Se engavetarmos esses talentos, sabemos que já existe uma recompensa predeterminada para esse descuido ou omissão. Leve a sério a sua parcela de responsabilidade quanto aos talentos que lhes foram confiados e, descubra o que tem acontecido com eles. S. Mat. 25: 14 a 30. Deus não terá por inocente aquele(a) que simplesmente enterrou os seus talentos,como sendo os seus dons, as suas oportunidades de falar a respeito da misericórdia de Jesus Cristo, a quem se encontra em qualquer dificuldade, quer de doença ou situações de angústia. Deus quer que sejamos os Seus anjos da guarda para socorrermos os nossos pequeninos irmãos que se encontram expostos à dor e aos dissabores. Se não fizermos isso transgredimos o Seu ensinamento. Leiamos S. Mat. 25:31a 46.

 

Por melhor que seja a nossa atuação na vida paroquial da nossa comunidade, se não amarmos profundamente os que sofrem qualquer privatização, do alimento à dor em geral, não temos como amar a Deus. Leia 1º João 4:8. O amor aos nossos irmãos e irmãs vai além daqueles que participam do mesmo culto e do mesmo credo a que pertencemos. O amor e o respeito dedicados a cada pessoa, por si só, já é uma pregação. Se tivermos condições de falarmos em Cristo e Seus ensinos, melhor ainda.

 

Cada um de nós é um EU. Portanto, devo me perguntar: Que cristão sou eu? O que estou fazendo com os talentos que recebi do Senhor? O clero e o laicato da Igreja, todos temos uma parcela de compromisso com a salvação da humanidade; cada um(a) no lugar onde vive. Deus não mandará os Anjos do Céu para fazerem o que nos foi confia-do. Responderemos pelos que se perderam pela nossa negligência ou comodismo.

 

No próximo texto veremos A MULTIPLICAÇÃO DOS TALENTOS. È possível?

 

 


A MULTIPICAÇÃO DOS TALENTOS

 

                                    Rev. Côn. Cleny S. Vergara    -  Foz do Iguaçu, 11/ 09 / 09

 

Aos meus ilustres irmãos e irmãs do Ministério Ordenado ou não, somos todos obreiros do Senhor Jesus, porquanto fomos ordenados pelo Batismo, pela Confirmação e pelas Ordens Sacras, a assumir uma determinada parcela de responsabilidade relativa ao dom que Deus concedeu a cada um dos seus filhos e filhas. Importante, percebamos ou não, nascemos com um chamado para uma determinada tarefa, cuja execução caberá exclusivamente àquele ou àquela que a recebeu. Negligenciá-la, remete o responsável à situação daquele(a) que enterrou o seu talento.

 

Irmãos e irmãs; é legítima a nossa angústia pela ausência de uma estratégia missionária mais dinâmica e mais abrangente com material didático e pedagogicamente bem elaborada; porém, por melhores que sejam as ferramentas que nos forem alcançadas, há um fator preponderante que depende de cada pessoa em particular, principalmente por aqueles que, de uma ou de outra assumiram o compromisso com Deus pela proclamação da Sua palavra em qualquer lugar e em qualquer tempo. Esse compromisso é particular e intransferível. É claro que essa responsabilidade é relativa à condição de cada pessoa; contudo, Deus espera que cumpramos com alegria e confiança tão nobre tarefa.

 

Seria fundamental se a Igreja Nacional tivesse material para distribuirmos nos centros e nos bairros das cidades onde moramos, mediante uma estratégia missionária elaborada segundo a realidade local; porém, os frutos somente serão abundantes se cada um de nós, clérigos e leigos, colocarmos o nosso coração e a nossa alma como pano de fundo desse trabalho, para sermos reconhecidos como verdadeiros mensageiros de Jesus Cristo. Nessa missão, muito mais do que falarmos sobre a necessidade de cada pessoa aceitar e viver o Cristo, devemos lhes mostrar o nosso carinho e respeito à posição pessoal de cada uma, ajudando-a a compreender o profundo desejo de Deus de que todos os homens e mulheres sejam salvos. “Porque a vontade daquele que me enviou é esta: que todo aquele que vê o Filho e Nele crê, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia”. .S. João 6,40. Sem proselitismo, temos o dever de abrir o nosso coração à pessoa mostrando-lhe que nós não estamos lhe visitando para lhe convencer de que ela deve fazer parte de nossa Igreja, mas sim, do rebanho de Cristo. A ela cabe o direito de escolher um credo religioso que lhe possa parecer o melhor. Religião e noiva ou noivo a escolha é pessoal. O que não podemos é fazer de conta que esse compromisso não nos pertence. Um bom argumento é orientá-la a respeito do trabalho pastoral que a Igreja presta aos seus congregados como seja: visitação em momentos de enfermidades e outras situações difíceis. Pároco(a) passa a ser  pai ou mãe em Deus para o seu povo. Essa tarefa missionária e pastoral não depende do Bispo Diocesano. É uma tarefa pessoal de cada mentor espiritual e seus auxiliares, ministros leigos e os membros da Igreja que sentirem essa vocação. O importante é que o trabalho seja coordenado pelo responsável pela Paróquia ou Missão. A nossa omissão, por qualquer motivo, compara-se ao TALENTO ENTERRADO. Não tenhamos vergonha de apresentar Jesus Cristo aos que ainda não O conhecem. Leiam o que disse Jesus aos que Dele se envergonharem. S. Lc, 9,26. O que Ele falou no passado continua valendo e continuará.

 

Uma reflexão que deve nos motivar à busca de almas para Cristo é a nossa felicidade de sermos discípulos Dele. Alguém nos proporcionou esse encontro. Nós poderíamos estar no mundo das trevas, se não fosse o coração piedoso dos nossos pais ou de outra pessoa que nos levou ao Salvador. O que sentimos em relação a uma negligência médica que permite o óbito de um familiar nosso? O que Deus sente quando somos negligentes?

 

 

O QUE SOMOS?        Rev.Côn. Cleny Vergara(09.08.09)                                                                                                      

Não somos adeptos da doutrina da Igreja Católica Romana e nem do Pentecostalismo moderno. Somos uma Igreja aberta à  Inclusividade. O que significa Inclusividade? O seu ápice centra-se no chamado magistral de Jesus aos marginalizados e espoliados pelos pretensos donos do poder e da verdade, não só dos séculos passados, mas também, dos nossos dias. A esses sofredores disse Jesus: “ Vinde a mim todos os que estão cansados de carregar suas pesadas cargas, e eu lhes darei descanso. Sejam meus seguidores e aprendam de mim, porque sou bondoso e tenho espírito humilde; e vocês encontrarão descanso. Os deveres que exijo de vocês  são fáceis e a carga que ponho sobre vocês é leve” S. Mat. 12, 28-30. ( O vinde a mim todos…) evidencia a nossa inclusividade.

Meus queridos irmãos e minhas queridas irmãs; com esta introdução, em itálico, podemos perceber a grandeza de nossa amada Igreja. Ela além de democrática, tem na sua estrutura doutrinária e pedagógica a sensibilidade psicológica e fraternal para encaminhar o seu povo a Jesus Cristo, sem exigência alguma, senão, a humilde súplica pelo perdão dos seus pecados. “ … Ó Deus tem pena de mim, pois sou pecador!” S. Lc. 18,13b. Libertos do pecado, o amor e a adoração a Deus são espontâneos e profundos.

Não temos o direito de cobrar nada de Deus e nem lhe dar  algo pequeno em troca de um bem maior. Como anglicanos, temos que descobrir o nosso verdadeiro caminho. Com o surgimento do movimento pentecostal que se valeu do dogmatismo romano para explorar o sentimento humano de então, desprovido da fecundidade da fé genuína em Cristo Jesus, lançou as suas redes e capturou todos aqueles que desejavam uma religião dominadora e que determinasse como cada pessoa deveria se comportar consigo mesma, com os outros e com os seus bens materiais. Com isso surgiu o novo dogmatismo dominador cerceando os seus adeptos do seu livre arbítrio. No entanto, escravos e não livres. Ver primeira carta de S. Paulo aos Cor. 7,23.

Em  meio  a estes dois extremos está a Igreja Anglicana com a sua potencialidade sufocada pela nossa inércia e apatia esperando um milagre que a leve a descobrir esse nicho aberto pelos dois extremos, o romanismo e pentecostalismo. De um lado uma doutrina fundamentada no conformismo e do outro, uma estratégia disciplinar do tudo ou nada.

Creio que o clero brasileiro  anglicano tem que sair dos seus aposentos, com algumas exceções, e descobrir, via convicção profética e pastoral, a sua verdadeira incumbência frente aos que não sabem para que rumo seguem. Temos que admitir que algo não está funcionando bem em nossas vocações. As ovelhas que deixarmos ao alcance dos lobos e forem por eles tragadas, delas o Senhor exigirá prestação de contas. Eu me incluo nesses.

O cap 14,6 e7 do Apoc, nos impõe o peso do nosso ministério.

Na minha visão seria importante, para não dizer necessário, um encontro da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, para uma avaliação da sua estratégia missionária e traçar novos rumos embasados nos baluartes das Escrituras e dos expoentes do Evangelho anunciado pela nossa Igreja em terras brasileiras.

O que nos falta para sermos uma Igreja pujante? Falta-nos fé, amor à causa, desinibição, coragem e vontade de falar em Cristo, dinamismo,  amor à ovelha perdida, falta de visão missionária, falta de convicção de que somos pastores, ou achamos que cada um deve dar um jeito em sua vida espiritual ?

“ Ai de mim se não pregar o Evangelho” 1ºCr.9,16b. Este texto me toca profundamente.

“O carro que não funciona ou funciona mal, tem alguma coisa errada”

                 Aos Bispos Brasileiros; estou inquieto com a nossa marcha lenta!

    Bem sei que não podemos salvar o mundo; mas sei que os povos do mundo esperam da Igreja a indicação da setas que apontam o caminho da salvação.

 

 

 

 

 

 

 

CINCO CLAMORES DA AMAZÔNIA

CEBs realizam encontro em Rondônia e gritam pela vida

 

Jelson Oliveira* 

            O encontro das Comunidades Eclesiais de Base está reunindo nessa semana em Porto Velho , Rondônia, quase três mil pessoas. O tema do encontro é No ventre da terra, o grito que vem da Amazônia. Com os pulmões inflados pelo ar quente que sopra no coração do Brasil, os delegados, assessores e convidados celebram, refletem, debatem e partilham experiências em torno da missão das Igrejas na defesa da natureza. Trata-se de um verdadeiro pentecostes, como vem sendo chamado esse entusiasmado encontro de diversidades.

            Na pauta das discussões está o equívoco de uma civilização que contrapõe desenvolvimento e natureza, gerando um desequilíbrio que prioriza o primeiro à custa da degradação da segunda. Num dos pratos dessa falsa balança, estão as empresas e corporações que mercantilizam e esgotam a terra, e também estão os governos federal, estaduais e municipais, com obras gigantescas que privilegiam os grandes e sacrificam os pequenos. Vista como uma zona de sintropia – para usar uma expressão dos especialistas – a Amazônia assiste a depredação da riqueza e da beleza de suas águas, biodiversidade e energia (os três maiores alvos do sistema capitalista que vigora como pensamento único em muitos gabinetes).

            Desde Rondônia, com a voz das Comunidades Eclesiais de Base, a Amazônia toda grita pelo seu povo, pela sua terra, pelas suas águas, pela floresta e pelas cidades.

O grito dos povos

            A Amazônia grita pela voz rouca de seus povos, tão próximos da suavidade rumorosa pela qual fala toda a natureza.  Pluriétnica, pluricultural e plurirreligiosa, a Amazônia grita pela boca dos 12 mil indígenas, povos primitivos, resistentes e ressurgidos que habitam essas terras há pelo menos 12 mil anos. A Amazônia grita pela boca dos 21 mil quilombolas, moradores de quase 1.500 comunidades que lutam pelo direito de viver e cuidar de suas terras. A Amazônia grita pela boca dos migrantes da borracha, que desde o século XIX ocupam como escravos os aviamentos e colocações e retiram a seiva da floresta. Herdeiros de Chico Mendes, o patriarca da Amazônia, eles são hoje 26 mil moradores das 35 reservas extrativistas que se espalham por toda a região. A Amazônia grita pela boca dos ribeirinhos e pescadores, guardiões da sacralidade das águas, dos lagos santuários, das caixas pesqueiras, dos rios, igarapés e nascentes que fazem desta, a terra das águas. A Amazônia grita pela boca dos posseiros, camponeses, sem terra e assentados que somam quase um milhão e meio de pessoas. A Amazônia grita pela boca dos colonos e migrantes pobres: do nordeste, vítimas da seca; do sul e sudeste, vítimas dos modelos de colonização atraídos para essas terras com a pretensão de diminuir os conflitos sociais de suas regiões de origem. A Amazônia grita pela boca das dezenas de milhares de trabalhadores que vivem em regime de escravidão pelos grotões da região.

A Amazônia grita pela boca dos 15 milhões de moradores urbanos, 13% dos quais analfabetos, 14% sem teto, 46% sem água encanada, mais de 80% sem esgoto, vítimas da pior oferta de atendimento de saúde do Brasil, portadores de doenças tão antigas como a malária, a dengue e a febre amarela – enfermidades que não despertam o interesse da ultra-moderna medicina e das sequiosas indústrias farmacêuticas meramente por se caracterizarem como “doenças de pobre” ou “doenças da pobreza”.

O Brasil, que há muito tempo não conhece a Amazônia e que reservou a esse bioma tantas depreciações e preconceitos, tem a chance agora, pela voz desses povos, de ouvir o que diz a Amazônia.

O grito da terra

            A Amazônia grita pela voz da mãe-terra, morada sagrada de todos os seres, berço do qual viemos e colo no qual acalentamos nossos sonhos e esperanças. Terra disputada pelo capital, rasgada e violentada pelas mineradoras, garimpos e siderúrgicas, profanada pelo agronegócio monocultor da pecuária (que de 1990 a 2003 cresceu 140% na região), da soja e da cana, militarizada em nome da segurança nacional, ameaçada pela internacionalização, globalizada pelo narcotráfico, pela prostituição, pela fome e pelo abandono. Terra poluída pelos defensivos agrícolas, contaminada pelo mercúrio, corrompida pelo silêncio dos campos nos quais a vida deu lugar ao artefato, o natural foi substituído pelo artificial, o território da vida pelo negócio explorador. E agora, o pior: legalmente grilada, entregue aos interesses dos latifundiários pela medida 458, editada pelo governo Lula.

            Pelo grito da terra que é Gaia, a deusa primeira dos gregos e que é Pachamama, a mãezinha dos povos latinoamericanos, todos nós gritamos. Como crianças arrancadas do seio de sua mãe. Como órfãos de um tempo de desequilíbrio e descuido que fere a mais íntima essência daquilo que constitui o ser humano. 

O grito das águas

Desde quando fora batizada pelos indígenas de amassunu, que quer dizer “ruído de águas, água que retumba”, a Amazônia tem sido conhecida como a terra das águas. Nela se encontra 20% das reservas de água não congelada do mundo. No ventre das terras amazônicas escorre lento e pegajoso o maior rio do mundo, o Marañon-Solimões-Amazonas. São 6.671 quilômetros abastecidos por uma gigantesca rede de mais de 1.100 rios, além de incontáveis igarapés, corredeiras e nascentes que garantem a vida de tudo o que está à sua volta - como no texto bíblico do profeta Ezequiel (47, 1-12).

Leite da terra sugado lentamente pelo existir das raízes que penetram o corpo da terra, a água escorre pelo ventre da madeira que se ergue portentosa e se lança na atmosfera em “rios voadores” que abastecem todo o continente americano e interferem no clima de todo o planeta. A quantidade de água coletada e transportada por esse maravilhoso sistema é equivalente à vazão do rio Amazonas, ou seja, cerca de 200 mil metros cúbicos por segundo.

Mas a Amazônia chora lágrimas de água barrenta, fétida e amarga. Inúmeras hidrelétricas foram ou estão sendo construídas, colocando em risco muitos eco-socio-sistemas. As águas gritam contra a poluição e a contaminação causadas pelo uso extensivo de agrotóxicos e pelo derrame de esgotos, pela morte dos mananciais e nascentes sob as máquinas do hidro-agronegócio, pelo desperdício e pela privatização.

A força das pororocas e seu ronco inebriante que rompe todos os obstáculos e celebra a força da natureza é a grande inspiração do povo das CEBs na defesa das águas amazônicas.

 

O grito das florestas

            Sobre o corpo portentoso das terras amazônicas, erguem-se as florestas e seus inúmeros seres: 55 mil plantas (22% das espécies do mundo), 1 mil tipos de aves, 300 tipos de mamíferos, 550 répteis, 163 anfíbios, 3 mil peixes e milhões de insetos e microorganismos. A floresta esconde seus segredos e preserva suas grandiosidades: 30% da fauna e flora do mundo estão na Amazônia. A floresta guarda o seu povo, seus bichos e suas lendas. A floresta canta sua ladainha de nomes, frutos e plantas de variadas espécies que vem sendo destruídas e extintas. Num tempo no qual três espécies biológicas são extintas por hora no mundo (72 por dia!) e no qual, paradoxalmente, se criam em laboratório milhões de espécies alteradas geneticamente, a floresta da Amazônia grita por socorro.

O desmatamento tem atingido índices alarmantes: em 2004, foram extraídas 6,2 milhões de árvores da floresta, entre 2006 e 2007 foram desmatados 11.532 quilômetros quadrados fazendo com que a floresta hoje já tenha perdido pelo menos 20% do seu tamanho original, ou seja, 700 mil quilômetros quadrados de floresta foram destruídos.

A floresta amazônica grita no ventre abrasador das carvoarias, nos dentes ásperos das madeireiras, nos saques diários realizados por laboratórios farmacêuticos e na pilhagem da biopirataria. A floresta grita nas raízes ressecadas pelas queimadas que conduzem à desertificação. A floresta grita isolada entre as cercas das pastagens, das culturas exóticas de eucaliptos e pinus, dos intermináveis horizontes do deserto verde que se alastra e engole a vida da floresta.

O grito da cidade

            A Amazônia conta com inúmeros conjuntos populacionais de grande ponte, entre os quais se destaca Manaus, que conta hoje com cerca de 2 milhões de habitantes. Além disso, somam-se inúmeros pequenos povoamentos ainda ruralizados e empobrecidos, nos quais 46% das casas não contam com distribuição de água e cerca de 75% das famílias com crianças até 14 anos ganham até 1 salário mínimo. O crescimento desordenado das periferias, o aumento do desemprego e da violência, a falta de saneamento, de atendimento de saúde e educação, o aumento da drogadição, a falta de políticas de lixo, etc, formam a triste realidade dos moradores urbanos da Amazônia.

Lamento e resistência

            O grito de lamento vem se transformando num grito de resistência. O 12º Encontro Intereclesial das CEBs tem revelado a força do povo amazônico na construção de alternativas e de lutas contra o modelo de desenvolvimento que tem fechado os ouvidos para esses clamores. No coração da Amazônia surgem reservas extrativistas, projetos de assentamento agroextrativistas, projetos sustentáveis, comunidades quilombolas, luta dos posseiros e atingidos por barragens, experiências de preservação e recuperação de lagos e rios, redes agroecológicas, artesanato, apicultura e inúmeras alternativas de economia solidária. Surgem fóruns e conselhos, experiências de formação política, de participação das mulheres e uma imensa rede de organização popular e eclesial.

            Aqui em Rondônia, nesse Encontro, estão muitos homens e mulheres que fazem essa realidade e, pouco a pouco, transformam o abandono em esperança. É por isso que frase de Dom Moacir Grecchi, arcebispo de Porto Velho, ecoou com tanto êxito: “pessoas simples, fazendo coisas pequenas, em lugares pouco importantes, provocam mudanças extraordinárias”. Esse é o sentimento e a certeza que acalenta os corações das CEBs, cuja nomenclatura terá de acrescentar agora, por sugestão de Leonardo Boff, a ecologia: Comunidades Ecológicas de Base. Pelo grito das CEBs a Igreja se faz ecológica!

 

*Jelson Oliveira  Professor de filosofia da PUCPR, agente da CPTPR e assessor do 12º Encontro Intereclesial das CEBs. É autor de Ética de Gaia: ensaios de ética socioambiental (Paulus, 2008). O texto a seguir foi escrito a partir da síntese dos debates de um dos “Rios” (como são chamados os 12 grupos que reúnem cerca de 250 pessoas) em torno da realidade amazônica. Endereço para contato: jelsono@yahoo.com.br
“É preciso ter no amigo o melhor inimigo. É resistindo-lhe que ficarás mais perto do seu coração.” (Friedrich Nietzsche: Zaratustra, Do amigo)

                             

 

 

 

                                                        A FAMÍLIA         Rev. Côn. Cleny S. Vergara

 

 

      A família é a instituição mais antiga na face da Terra. Atravessou os séculos e os milênios, sem perder a sua característica e  essência. Os estudiosos e as pessoas de bom senso e de espírito fortalecido pelo amor divino, reconhecem cada vez mais, a família como o ponto de referência para o estabelecimento da ordem e da paz na face da Terra. Esses dois adjetivos calcados em suas gêneses, é óbvio, que estruturam  a base da família  projetada por Deus, como sustentáculo da felicidade. Sem qualquer bifurcação, é na família, pais e filhos, que são lançados todos os nutrientes espirituais, culturais e sociais,  para a realização de cada membro dessa sociedade, como povo de Deus. Esse povo sente os efeitos da ação do Espírito de Deus no seu meio, na medida em que cada um dos seus membros sinta-se impelido  à prática das virtudes celestiais como âncoras que sustentam o navio em meio às tempestades. A família, pais e filhos, todos fortalecidos com o mesmo fermento divino,  sente nessa experiência a mais sublime de todas as vibrações a que o Espírito de Deus é capaz de conduzi-la. Esse é exatamente o momento da cristalização das pequenas e grandes ações de cada membro de um lar edificado em cima de uma rocha, chamada Jesus Cristo. A melhor semelhança de uma família nutrida pela graça de Deus e instruída pelas Escrituras Sagradas,  é um jardim com grande variedade de flores com cores e perfumes variados.

 

     Não é sem motivo que os alicerces da família, esposo e esposa, são devidamente preparados pela Igreja, para que ao contraírem o seu matrimônio, estejam plenamente conscientes de que estão sendo unidos por Deus e, que a sua descendência seja fruto   desse amor que uniu os dois jovens num só corpo. O amor conjugal é conhecido como amor “Eros” do qual geram-se os filhos e transforma  a primeira  sociedade - esposo e esposa – numa sociedade maior e dá uma nova dimensão ao amor. Esse amor de pais e filhos chama-se “Filia”, isto é, o amor familiar. No entanto, o amor filia, bem vivido por todas as famílias, forma uma sociedade ainda maior, que é o amor “Ágape” que significa refeição comum. É como se várias famílias estivessem fazendo juntas uma refeição; tudo seria igual para todos. Esta última categoria de família é a família cristã referida por S. Pedro em sua primeira carta cap. 2 e vers. 9. Leiam! Com essa  leitura  a nossa mente e o nosso coração ficarão radiantes de alegria por descobrirmos como é fácil ser feliz. Quem desejar um reforço leia primeiro Coríntios cap. 13. Nessas leituras indicadas não tem lugar para o ódio, para a raiva, para o ciúme, para a arrogância e tantos outros empecilhos à felicidade. O amor é o ícone e a cor da felicidade.

 

     Em qualquer das três instâncias do amor – Eros. Filia ou Ágape -  o fermento é o mesmo, DEUS EM CRISTO. Não é possível que um casal que tenha Cristo no coração possa brigar, porque Deus que é Amor e que está no coração do esposo e da esposa    não briga consigo mesmo. Da mesma forma entre pais e filhos e entre os cristãos em geral, não se justifica brigas; salvo se pelo menos uma pessoa de qualquer dessas instâncias, não tiver Cristo consigo.

 

 “Quem não amar a seu irmão a que vê, não pode amar a Deus a Quem não vê” Primeiro  João  4:20 “  Sem Deus não há felicidade e a vida perde o seu brilho!.

 

 

                                         Foz do Iguaçu, PR, junho de 2009 AD

 

 

PERDÃO I                  (Rev.Cônego C. S. Vergara)

Fala-se e ouve-se muito a respeito do perdão. As Sagradas Escrituras, por excelência, tem a plenitude da competência para expor a pastoral do perdão, porque a sua  autoria está ornada e inspirada com o halo do Espírito Santo, cuja essência concentra todos os dons espirituais oferecendo a cada pessoa em particular, a graça da legítima filiação na congregação  dos fiéis como raça escolhida, sacerdotes do Rei, nação santa, e o próprio povo de Deus. I Pedro, 2: 9.  S. Pedro apresenta-nos a estatura do varão ideal aos olhos de Deus, mediante a aceitação intrínsica (interior) da ação do Espírito Santo que, como primeiro passo, indica-nos a necessidade de nos abrirmos ao perdão a qualquer ofensa de que tenhamos sido vítimas. Sem a predisposição da reconciliação com aquele ou aquela que nos feriu, não conseguiremos amar o nosso próximo como nos amamos a nós mesmos. Esta condição de amor é o segundo e grande passo para amarmos a Deus.  Se alguém diz:”Eu amo a Deus”, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Porque ninguém pode amar a Deus a quem não vê, se não amar a seu irmão a quem vê. Foi o apóstolo S. João que deu esta orientação em sua primeira carta, 4,20

 

UM EXEMPLO DE PERDÃO

 

No final do século p.p.numa cidade do Sudoeste do Paraná, um determinado senhor estuprou uma menina de 13 anos de idade,  além de lhe ter tirado a vida de uma forma selvagem. Essa menina era estudante exemplar, inclusive de música,  filha única de família muito religiosa. Como eu participei do ato de encomendação em um templo superlotado, num determinado momento o pai da vítima levantou-se e pediu um minuto de atenção e disse: “ Eu ainda não sei quem fez isso para a minha filha; mas o meu prazer será ver a minha filha abraçar esse homem no Reino de Deus. A mãe da menina acompanhou todos os hinos desse ato religioso com a mão no rosto da filha, totalmente deformado pela crueldade do assassinato. Dentro de uma semana saiu a sentença do criminoso;  trinta anos de prisão em regime fechado. Como todos sabemos o que acontece com um estuprador quando vai para o presídio, com esse tal, não foi diferente. Com pouco mais de um mês de prisão o dito cujo já estava mais para morrer, do que pra sobreviver. Quando o pai da menina ficou sabendo da situação do referido assassino, ele foi ao Juiz e pediu-lhe para transferir esse senhor para um presídio distante da cidade  do crime, onde os outros presos não soubessem qual foi o motivo da sua prisão e não judiassem mais dele. O Juiz atendeu o pedido; mas, assim mesmo o réu viveu pouco tempo.

Esta situação, que eu presenciei, nos dá a verdadeira dimensão do perdão. Foi assim que Jesus ensinou quando disse: “ Se alguém te bater num lado da tua face, oferece o outro para ele bater, também”. Luc. 6,29. Não há outra maneira de vivenciarmos o amor fraterno, sem o perdão do fundo do nosso coração.

 

 PERDÃO II

 

Enquanto não ler o próximo texto, leiam o cap. 6 vers. 5 a 15 do Evangelho segundo S. Lucas e também, o cap. 17, verss. 1 a 4 do mesmo evangelista. Com a leitura de S. Mateus 18, verss. 23 a 35, aprofundamos o nosso entendimento acerca do perdão e, a partir daí, estaremos mais próximos do amor que nos abre as portas para  amarmos  a Deus.

 

            Foz do Iguaçu PR, Junho de 2009

                                                  PERDÃO II  (Rev. Côn. C.S. Vergara)

 

 

Dissemos no texto anterior, sobre Perdão, que o perdoar é a condição que nos leva ao amor fraterno. Quem ama perdoa. Deus nos perdoou porque nos amou primeiro, Diz S. João em sua primeira carta 4, 19.

A iniciativa do perdão veio de Deus; portanto, temos o sagrado  dever de perdoar, mesmo que o agressor não nos peça perdão. Em nosso coração deverá estar estampado o desejo de perdoar sempre, independentemente da gravidade da agressão com que  formos feridos.  

No texto anterior mencionamos um exemplo de perdão que, consideramos o maior gesto até hoje conhecido de uma pessoa com o seu coração e alma profundamente feridos pela selvageria praticada contra a sua filha ( de 13 anos de idade ) dizer perante uma multidão de pessoas no momento em que realizávamos o ato religioso de encomendação a Deus, da vítima, fila única.  Disse o seu pai: “ Eu ainda não sei quem fez isso com minha filha; mas o meu desejo e vê-la abraçar esse homem no Reino de Deus”. Diante desse fato estamos em condições de perdoarmos a quem quer que seja.

Na oração do Pai Nosso, S. Mt. 6, 12, todos os que aceitam esse modelo de oração como verdadeiro e importante ao nosso exercício espiritual e devocional, assumem a responsabilidade de perdoarem quantas vezes forem necessárias. Sabem por que?

Por que nós  determinamos como  queremos ser perdoados. Estabelecemos a condição do perdão que esperamos de Deus. “ Perdoa-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos aos que nos têm ofendido”  É possível que não tenhamos nos dado conta desse detalhe importantíssimo dessa súplica a Deus. A seguir leremos a advertência de Jesus Cristo a respeito desse pedido, vers. 14 e 15 do mesmo capítolo, 6, supra mencionado: “ Porque se  perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celestial vos perdoará a vós; porém, se não perdoardes aos que vos ofenderam, também vosso Pai não  vos perdoará as vossas ofensas”. Como vimos, o perdão que queremos de Deus está em nosso coração; se conseguimos nos livrar da raiva, do ódio e do desejo de vingança ou qualquer outro lixo espiritual, abrindo o nosso coração para Deus, seremos perdoados. De outra forma, não. Assim, sendo, somos responsáveis pelo perdão que esperamos de Deus.

Não há agressão tão violenta que não possamos perdoar; basta lembrarmos do exemplo referido acima e, também,  do exemplo de Jesus na Cruz, ferido com azorragues ( chicotes com várias correias e com pedaços de ferro nas pontas), além de  todas as formas de tortura, como carregar a Cruz mediante a zombaria dos que se alegravam com esse quadro de dor e tristeza.

Sem perdão não podemos amar o nosso próximo; sem amarmos o nosso próximo, não poderemos amar a Deus; e, para os que não amarem a Deus não há lugar no Céu.

 

A melhor reflexão para avaliarmos a nossa condição perdoadora, é a oração silenciosa, a leitura da Bíblia, S João 3: 16 a 21 e outros textos que nos indiquem o Reino de Deus como a prioridade em nossa vida terrena. A nossa passagem por este mundo é muito curta; preparemo-nos,pois, aqui, para a nossa morada mais importante.

Jesus disse que se tivermos algum problema com alguém,  devemos acertar enquanto estivermos com a ele a caminho da justiça …Mt. 5,25. Leia.  

 

                     O perdão é o começo da viagem ao paraíso!

 

                            Foz do Iguaçu, junho de 2009

 

 

 

 

RESPONSABILIDADE CRISTÃ

Revdo Marialvo Rodrigues

 

            O DÍZIMO é o resultado prático de fidelidade, pela qual cada cristão reconhece pessoalmente, que ele e o mundo que o cerca, são um produto da bondade criadora de Deus. É um hábito regular, pelo qual um cristão põe a parte, pelo menos 10% de suas rendas, como um reconhecimento das dádivas divinas. Ele reconhece que Deus é o Senhor de todas as fontes. (I Cr.29:11-12)

            Entregar o Dízimo não é comprar favores de Deus, mas pagar tributos ao Pai Celestial que é a fonte de toda posse material. Não confundir o Dízimo com esmolas, pois Deus não precisa de nosso dinheiro. (Ag. 2:8)

            O dinheiro que o vendedor, o padeiro ou o fabricante ganha, tem sua origem primária em elementos que o homem não criou. Cada ocupação ou profissão que emprega esforço humano, relaciona-se com fatores que estão além do poder produtivo do homem. Eles apontam sem sombra de dúvidas para a realidade de Deus. (Sl. 127:1-2)

            O título final da propriedade ou dinheiro não fica com o homem, mas com Deus. O homem não possui o mundo material, ele é meramente um administrador. (Gn. 1:26) Como o homem tem exercido este domínio? (Cuidados com a natureza).

            O Dízimo é um testemunho da bondade criadora de Deus. O homem deve admitir que depende das bênçãos contínuas do Criador. (Is. 41:10). Um cristão pode dizer que crê em Deus, mas se não for acompanhado de entrega e sacrifício pessoal, esta fé não se concretiza. É a única maneira concreta do cristão demonstrar sua fé e fidelidade a Deus.

            BARREIRAS DO DÍZIMO 

            Secularismo e Materialismo – As coisas materiais passam a ser ditadoras de tudo. A felicidade está relacionada à satisfação dos sentidos (prazeres), ou pela posse e uso das coisas. Jesus declarou: “Onde estiver o teu tesouro, aí também estará teu coração”. (Lc. 12:34) O uso desmedido das posses materiais e o consumo de coisas supérfluas, tornam-se vícios e escravizam as pessoas, trazendo tormento e dor. (I Tm. 6:10).

            Humanismo – Assevera-se que o homem, por sua própria força e capacidade, resolverá os problemas do mundo. São análises racionais sobre a trágica situação humana ante a aguda crise mundial em todas as áreas. O humanismo inspira confiança no poder do homem, para triunfar sem a menor interferência de Deus. Quando somos confrontados com ódio, avareza, egoísmo e luxúria, que combinados trazem guerra, destruição e morte, o humanismo entra em colapso, não resiste ao menor teste de sobrevivência. (Situação dos governos de um modo geral, que são incapazes de resolverem os problemas de distribuição de renda, com todos os avanços da tecnologia e pseudos modelos de sucesso para o desenvolvimento).

            Nenhuma pessoa que honra a Deus dando 10% de sua renda, permanecerá alheio a realidade de Sua presença no mundo. Uma nova sociedade aparecerá quando os cristãos decidirem dizimar.

 

            Referências do Dízimo no AT

            Abraão oferece Dízimo a Melquisedec – Gn. 14:18-20

            Mandamento do Dízimo – Lv. 27:30

            Dízimo como função social – Dt. 14: 28-29

            Dízimo como gratidão e fidelidade a Deus - Dt. 26: 1-3, 10-11, 16-19

            Dízimo como bênção – PV. 3:9-10

 

            Referências do Dízimo no NT

Há uma ênfase em separar a Igreja Cristã da Igreja legalista do AT., que através do dízimo prescrevia o cumprimento da lei. Lc. 18:11-12.

O conteúdo dos evangelhos, da a entender que o dízimo não poderia ser dissociado da justiça, misericórdia e fidelidade. Mt.23:23-24.

O exemplo da viúva demonstra o nível de relacionamento com Deus, que sai do supérfluo para a doação total em confiança a Deus. Lc. 21:1-4.

 

Alerta sobre o apego ao dinheiro e as riquezas materiais

As riquezas atrapalham e dificultam a visão do Reino. Mc. 10:17-27.

A maior riqueza é o dom da vida, e não os bens materiais. Lc. 12:16-21.

O dinheiro não pode ser o parâmetro para os nossos relacionamentos. He. 13:5.

O dinheiro é fonte de opressão, mas no final a justiça de Deus prevalecerá. Tg. 5:1-6

Somos todos ricos com os tesouros que Deus nos tem confiado. Cada um de nós permanece em perigo mortal e eterno, se formos nécios e egoístas no uso que fazemos de nossas posses materiais.

           

            Método e quantia da Contribuição Os cristãos são chamados a contribuir regularmente. No AT.o dízimo era associado aos períodos da colheita, ou da venda do rebanho do gado. O Dízimo deve ser entregue no Templo, para ser consagrado e de acordo com a periodicidade da renda de cada um. Deve ser separado 10% da renda bruta como nossas primícias a Deus. Ml. 3: 10-12.

Exemplos:       1- O assalariado contribui sobre o valor de seu pagamento mensal;

                        2- O empresário contribui sobre a sua renda líquida, após deduzir as despesas;

                        3- Os filhos desde a infância contribuem sobre a mesada que recebem dos pais;

4- A esposa que não tiver renda mensal, deve solicitar ao marido um valor pelos seus serviços domésticos e contribuir com seu dízimo;

5 – O valor de contribuição para entidades sociais não pode ser deduzido do dízimo, se for o caso, deve ser levado à Igreja e esta fará a contribuição após análise criteriosa;          

Alem do dízimo tem também as ofertas (coletas), que são levantadas para algum fim específico da Igreja. Paulo levantou ofertas para socorrer a Igreja de Jerusalém. (I Co. 16:1-4). Também nos ensina como devemos contribuir com tais ofertas, com alegria. (II Co. 9:6-9). O exemplo de vida fraterna entre os primeiros cristãos, foi um testemunho poderoso que expandiu o evangelho entre os povos. Paulo destaca a felicidade entre aqueles que dividem. At.20: 35. Havia boa vontade e igualdade entre todos os irmãos. (II Co. 8:12-15).    

O modelo de governo cristão (Comunismo Cristão), chamou a atenção do Império Romano. At.2: 42-47.

Carta de Aristides ao Imperador Adriano em Roma. 135 AD      Eles andam em toda a humildade e bondade, e não há falsidade entre eles. Amam-se uns aos outros. Não se recusam a ajudar as viúvas. Livram o órfão da violência. Quem tem dá sem murmurar àquele que não tem. Se vem um estrangeiro, tomam-no em sua casa e tratam-no com a um irmão. Quando um dentre seus pobres passa desta para a outra vida, qualquer um que vê isto, providencia o féretro de acordo com suas posses. Verdadeiramente este povo é novo e há algo divino nele. A contribuição generosa implica numa vida abundante, e diariamente desenvolve também aquelas qualidades da alma que se tornam um prenuncio da vida eterna.     

 

PERIGOS E CONTROVÉRSIAS SOBRE O DÍZIMO

Retidão Presunçosa: A atitude de superioridade sobre os demais, constrói uma falsa idéia sobre a virtude.        

Legalismo: O dizimista é tentado a acreditar que não precisa mais nada alem do dízimo. O dízimo se torna uma espécie de transação com Deus, em que o homem pensa que já fez a sua parte, e por isto espera que Deus demonstre um interesse particular pelo seu bem estar. Jesus ensina que sem negligenciar o dízimo, devemos considerar também a justiça e a misericórdia. Mt.23:23

.Dúvidas sobre a aplicação: Muitos se questionam sobre se devem ou não contribuir, em relação ao uso e aplicação do dízimo. Nossa preocupação é tão somente em contribuir, nossa parte termina aí. Em nossa Igreja, temos uma Junta de Governo, que administra a parte financeira, por isso não temos preconceito em falar sobre o dízimo. O motivo do dízimo é a gratidão e fidelidade a Deus. Muito embora ele comece a receber retribuições e bênçãos. Ml. 3: 10 (As bênçãos não são somente financeiras).

Solução para os problemas financeiros: O dízimo não pode ser apresentado, como um meio para levantar dinheiro para uma causa. Como muleta para ajudar uma campanha financeira, esta função é específica das coletas. O dinheiro levantado é o subproduto do mais significativo ato de dedicação, e certamente contribuirá para todas as despesas administrativas da Paróquia. É a única forma deixada por Deus para manutenção de sua Igreja. Tudo o mais que fazemos como promoções de macarronadas, feijoadas, chá, yakissoba etc. para arrecadar fundos, é por causa da dureza de nosso coração.  Estas coisas são paliativas, e deveriam servir no máximo para confraternização da Igreja.  É o reconhecimento de gratidão pelas abundantes misericórdias de Deus.

Observações Finais: Os outros nove décimos também pertencem a Deus. Devemos procurar administrar, consagrando tudo a Deus. Nossos projetos de vida e trabalho, não podem ser egoístas, tem que ser compartilhado na medida do possível com outras pessoas da comunidade, pois os frutos que produzimos não são para nosso uso pessoal, mas para o benefício de outros. Também não termina com o dinheiro, inclui tempo, talentos e habilidades para o serviço da Igreja. Pelo fato de dar 10% de suas rendas, não se constitui o cumprimento de suas obrigações para com Deus. O dízimo é uma profissão de fé, é o reconhecimento de gratidão pelas abundantes misericórdias de Deus. É um reconhecimento de sua bondade. Experimente, tenha sua vida renovada pela graça amorosa de Deus, torne-se dizimista em sua Igreja e prove de uma vida abundante que Deus quer compartilhar com você. Cascavel, maio/09.

 

 ROGAÇÕES

A segunda, terça e quarta-feira, após o 6° Domingo da Páscoa e até a véspera da Festa da Ascensão de Nosso Senhor, o Calendário Litúrgico nos recorda que esses são Dias de Rogações.

 Nosso Livro de Oração Comum – LOC -, na página 153, nos brinda com três orações temáticas para nossa devoção, levando-nos com fé e especial devoção a elevarmos nossa oração, com espírito de ação de graças todos usufruam, com justiça dos frutos da terra e do mar, pois são dádivas de Deus. Na segunda oração apresenta nesse mesmo espírito a produção da indústria e comércio, regidos pela vontade de Deus, produzam também justiça. A terceira oração, nos lembra da responsabilidade que temos com toda a criação de Deus, e “roga que sejamos fiéis administradores das tuas boas dádivas”.

Na página 437, do nosso LOC, são oferecidas opções de leituras bíblicas, salmo, AT e NT, para nossa reflexão individual e ou comunitária, do sentido e ênfase que estes três dias nos oportunizam para que nos renovemos em nosso compromisso de fé que leva a responsabilidade de sermos presença e graça do próprio Deus diariamente.

 Tenho procurado destacar o “caminho” que o Calendário Litúrgico nos conduz, ao longo do Ano Cristão, oferecendo-nos inúmeras oportunidades para individualmente ou mesmo, o que seria muito bom, comunitariamente, aprofundarmos nossa devoção, leitura e compreensão da Palavra e Vontade de Deus, orarmos e intercedermos para situações específicas. Em fim  uma oportunidade de crescimento comunitário, de vida e compromisso com a fé cristã.

Certamente, neste tempo de Rogações, nossos irmãos e irmãs, das áreas rurais ou urbanas, sendo “levados” a viverem suas situações de vida com a produção do campo, o comércio, a indústria e todos as demais dádivas de Deus que se manifestam de diferentes maneiras e em tudo, possam ser vistas como tal e recebam o cuidado, atenção e compromisso de cada qual e das nossas comunidades, favorecendo nosso espírito de ação de graças e sendo de justiça e paz para todos, conforme nos comprometemos na Aliança Batismal.

Em anexo, envio um pequeno texto da Igreja Episcopal dos Estados Unidos, está em espanhol,  no qual é enfatizada a preocupação em “ressuscitarmos” os Dias de Rogações, com toda a abrangência que ela contem. Vejo um exemplo belo e prático a ser seguido qual seja, além de “orar” nos dias de Rogações, eles tem incentivado a organização de “hortas comunitárias” nos terrenos e jardins das paróquias, nos terrenos baldios próximos, com a meta de que, através dessa atividade, sejam “construidas” comunidades solidárias, preocupadas em suprir as necessidades de alimentação das pessoas e ajudando para que surjam novos “laços” de fraternidade, paz, co-responsabilidade, etc.

“….permite que recebamos constantemente as dádivas de tuas mãos, com ações de graças…” (Livro de Oração, pág. 153, oração 1)

 

Com minhas orações e bênção,

+Naudal

18 de maio de 2009. Dias de Rogações

 


  

 

 

 

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