(Por Onell A. Soto, Rapidísimas)
O cardeal Iván Días, prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, encabeçou a delegação dos convidados da Igreja Católica Romana na Conferência de Lambeth. “Eu vim pensando que ia ser um observador e me fizeram sentir um participante”, disse ele numa reunião. Havia 70 convidados ecumênicos líderes de religiões mundiais.
Pela primeira vez desde que começaram as conferências de Lambeth em 1867, um líder judaico falou aos bispos anglicanos reunidos em Cantuária. Sir Jonathan Sacks, rabino-chefe da Inglaterra, disse que “qualquer que seja a nossa fé, ou a falta dela, a fome dói, as enfermidades afligem, a pobreza desfigura nossa humanidade, e o ódio fere e mata”. Sacks sugeriu que as diferentes religiões devem ter como causa comum ajudar a um mundo que geme e que está dominado pela economia e política de uns poucos.
Os 640 bispos anglicanos (a maioria com esposas e maridos) empreenderam uma longa viagem para casa no final da Conferência em 3 de agosto. Muitos estavam bem cansados pela complicado calendário cheio de atividades, mas satisfeitos com a experiência de ter conhecido e partilhado a fé com irmãos e irmãs de outras partes do mundo. Nossa fé tem sido reforçada e nossa visão de mundo tremendamente ampliada, disse um relatório.
Desde o início se supôs que haveria muito poucas ocasiões para reuniões plenárias e que não haveria resoluções, apenas uma mensagem às igrejas e ao mundo. Isso fez com que o trabalho de grupo se intensificasse e o intercâmbio de idéias e opiniões se fortalecesse. Os bispos tiveram muitas oportunidades para a reflexão pessoal e comunitária, para os estudos bíblicos e o testemunho pessoal.
Todos os dias foi celebrada a Eucaristia e, conforme a tradição anglicana, as “horas canônicas” de oração matutina, vespertina e o serviço de completas antes do final do dia de trabalho.
As ameaças de divisões não desapareceram, mas agora há um novo espírito de companheirismo e boa vontade que já está dando seus frutos. No final da conferência foi emitida uma declaração como resumo dos temas abordados.
Durante a conferência, os bispos marcharam pelas ruas de Londres em testemunho de solidariedade com os países pobres com vistas ao cancelamento da dívida externa, visitaram os jardins do Palácio de Buckingham e foram saudados pela família real. Além disso, tiveram oportunidade para falar dos problemas do pós-colonialismo, da pobreza, da sexualidade humana, das relações ecumênicas e da identidade anglicana. Algo que os bispos não puderam esquecer foi o inesperado e ensurdecedor som dos alarmes, que acordou os residentes de um dormitório onde tiveram que se “vestir” de emergência à 1 hora da manhã e sair para a rua. Após 15 minutos de incerteza, soube-se que o sistema elétrico, como em qualquer país do Terceiro Mundo, teve uma pane devido a um torrencial aguaceiro.
Fortes abraços e o compromisso de orar uns pelos outros e continuar trabalhando na missão que Cristo confiou a eles marcaram o fim de outra Conferência de Lambeth. A próximo acontecerá no mesmo lugar em apenas dez anos, em 2018!