Lambeth 2008: um acordo para o diálogo
11/08/08|
Por Francisco de Assis Silva |
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No dia 02 de agosto a Conferência experimentou seu penúltimo dia. Bispos e esposas estão agora naquilo que chamaríamos de costurar uma grande colcha de tantos retalhos e cores diferentes como é próprio da Comunhão. Todo o trabalho dos estudos bíblicos, dos grupos indaba, das plenárias, precisa agora ser pintado numa moldura que será a inspiração de toda a Igreja para a próxima década.
As mulheres apresentaram na plenária final de amanhã um belo trabalho de construção coletiva. Disseram claramente aos bispos, seus parceiros de caminhada, e à Igreja como um todo que elas querem e merecem fazer a diferença. Que elas querem a unidade da Igreja. Com certeza, cada esposa e esposo que participou destas três semanas de intensa agenda, não será mais a mesma. Elas construíram laços fortes e teceram sonhos juntas.Os bispos estão enviando uma mensagem ao mundo de que, apesar das diferenças, foram capazes de construir as bases para uma caminhada de diálogo. Foram inúmeros os consensos. Seja em torno da responsabilidade com a justiça e a integridade da Criação, seja na compreensão do ministério deles como líderes de uma Igreja diversa, foram capazes de construir uma fala de 37 páginas, sob o lema Reflexões sobre Lambeth 2008. Alguns dissensos não foram resolvidos. E continuarão a não ter uma solução simples, mas exigirá diálogo e disposição para estar no caminho. Esta é a Conferência da ausência de resoluções. Ninguém sairá do campus da Universidade de Kent afirmando que ganhou qualquer argumento. Que derrotou por votos a esta ou aquela resolução. A palavra final da Conferência é somente uma: precisamos continuar buscando a vontade de Deus. Alguns, é verdade, talvez desejassem outra solução mais definida, por exemplo, a respeito da sexualidade humana. Mas uma decisão dessa ordem, final, definitiva e irrevogável não seria um benefício para a Igreja como um todo.
Até porque a própria Conferência não tem um caráter legislativo. Os bispos não exercem sua autoridade à revelia das outras ordens da Igreja. A tradição anglicana aponta que um bispo exerce sua autoridade conciliarmente, onde a Igreja toda se faz representar. Uma fala sobremodo importante das esposas, através de uma entrevista dada pela Sra. Sandra Andrade ao Episcopal Life, resume bem o espirito da Conferência. Ao se referir sobre a importância dos estudos bíblicos durante a mesma, ela disse: “alí nós pudemos ouvir o que as outras pessoas estavam dizendo”. Isso, em outras palavras também foi dito pelo nosso Primaz, quando ressaltou que o retiro liderado pelo Arcebispo Rowan Williams foi um chamado a se ouvir uns aos outros. A Conferência encerrou a sua fase presencial. Mas ela continuará a ser presente em cada diocese e em cada Provincia da Comunhão. |

